A criação da Rede Nacional das Casas dos Açores do Brasil
Florianópolis sediou, no domingo, 23 de agosto, o “IX Encontro Açores Brasil”, evento que reuniu representantes das oito Casas dos Açores distribuídas pelo Brasil e marcou a criação oficial da “Rede Nacional das Casas dos Açores do Brasil”. A cerimônia ocorreu na Casa José Boiteux, no centro da capital catarinense, um dia após a inauguração da nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina, localizada em Santo António de Lisboa, região próxima a Florianópolis.
A formalização da Rede Nacional aconteceu por meio de um protocolo de cooperação entre a Região Autónoma dos Açores e as Casas dos Açores do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão, Espírito Santo, Minas Gerais e Ceará. O documento foi assinado pelo secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, junto dos dirigentes das instituições brasileiras.
Objetivos e funcionamento da Rede Nacional
O protocolo define a Rede como uma estrutura informal destinada a promover a cooperação, comunicação e intercâmbio entre as Casas dos Açores do Brasil e a Região Autónoma dos Açores. Entre as metas estão a valorização das conexões culturais entre os Açores e os açor-descendentes brasileiros, a troca de experiências e a realização de iniciativas conjuntas.
Além das áreas cultural, educativa, científica, social e comunitária, o protocolo prevê também a cooperação econômica e empresarial, com projetos de interesse comum. A Rede tem o compromisso de divulgar a identidade, história e cultura açoriana no Brasil, facilitando a articulação das Casas com o Governo Regional dos Açores.
As atividades poderão se materializar por meio de encontros, seminários, exposições, projetos de pesquisa, publicações, programas de intercâmbio e outras iniciativas itinerantes entre as Casas.
Coordenação e desafios da nova Rede
A coordenação executiva da Rede funcionará em sistema rotativo anual, seguindo a ordem cronológica de fundação das instituições. A Casa dos Açores do Rio de Janeiro, criada em 1952 e a mais antiga do grupo, assumirá a primeira coordenação. Seu papel inclui articular as Casas, dinamizar projetos conjuntos, convocar reuniões e representar a Rede nas relações institucionais.
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João Leonardo Soares, presidente da Casa do Rio de Janeiro, destacou que a criação da Rede fortalece a representação das instituições e facilita o desenvolvimento de projetos em conjunto. Ele salientou os desafios de conciliar as diferentes realidades das Casas e manter a participação ativa para preservar e divulgar a cultura açoriana no Brasil.
Expansão e perspectivas futuras
Outras Casas dos Açores que venham a ser formadas no Brasil poderão integrar a Rede mediante aceitação das instituições já participantes. José Andrade, diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores, afirmou que a Rede será fundamental para valorizar a relação histórica entre as ilhas açorianas e o Brasil, por meio de esforços conjuntos e atividades itinerantes.
Resultados e compromissos da visita a Santa Catarina
Paulo Estêvão ressaltou os protocolos firmados durante a visita, incluindo o apoio mútuo entre as Casas e a colaboração ativa do Governo dos Açores. Também destacou a atualização do protocolo com o Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade do Estado de Santa Catarina, reforçando o trabalho desenvolvido pela instituição.
Sobre a nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina, o secretário regional afirmou que a Prefeitura de Florianópolis foi responsável pela aquisição e requalificação do imóvel, o que permitirá ampliar as atividades culturais e educativas da Casa, com seminários, congressos e encontros.
Além disso, entidades municipais e estaduais se comprometeram a colaborar com o Governo dos Açores nas comemorações dos 600 anos da descoberta do arquipélago, previstas para 2027. A Prefeitura de Florianópolis planeja erguer um monumento alusivo à data, com inauguração prevista para o mesmo ano.
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Valorização da história açoriana em Santa Catarina
O encontro contou com a participação de autoridades locais e regionais, como o diretor regional das Comunidades, José Andrade, a presidente da Academia Catarinense de Letras, Lélia Nunes, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Luiz Nilton Corrêa, e o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. As atividades foram realizadas na Casa José Boiteux, que também abriga essas instituições.
O painel dedicado às Casas dos Açores do Brasil analisou o percurso das instituições, suas realidades atuais e perspectivas, com a presença dos presidentes das oito Casas. A iniciativa criará um canal nacional de articulação para coordenar projetos e promover a circulação de ações entre as regiões brasileiras, fortalecendo a presença açoriana no país.
Nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina
Sérgio Luiz Ferreira, presidente da Casa dos Açores de Santa Catarina, destacou que a inauguração da nova sede representa a realização de um sonho de décadas. O prédio, restaurado pela Prefeitura de Florianópolis, está localizado em Santo António de Lisboa, uma área histórica da presença açoriana na ilha de Santa Catarina.
O espaço contará com uma galeria de arte para exposições com temática açoriana, uma biblioteca em homenagem a José Coelho “Peninha”, pesquisador da cultura popular, e um microauditório para tertúlias e eventos culturais. Ferreira ressaltou a importância da participação do Governo dos Açores na solenidade e na presença das Casas do Brasil, o que conferiu maior relevância ao evento.
Continuidade do projeto e expectativas
O IX Encontro Açores Brasil dá sequência a uma série de encontros que começaram em 2021 em Ponta Delgada, com edições posteriores em diversas cidades portuguesas e brasileiras. Com a Rede Nacional, as Casas dos Açores no Brasil passam a contar com um instrumento comum para organizar atividades, compartilhar recursos e estabelecer projetos em parceria com o Governo dos Açores.

