Exportar produtos é apenas o começo para Santa Catarina
Santa Catarina consolidou-se como um dos maiores polos exportadores do Brasil, especialmente em setores tradicionais da indústria e do agronegócio. Madeira, papel, máquinas, equipamentos e embarcações formam a espinha dorsal das exportações do estado, que mantém uma competitividade reconhecida internacionalmente. No entanto, o próximo desafio para a economia catarinense é ir além da venda de produtos e começar a exportar empresas, tecnologia e inovação.
Dados do Centro de Inteligência e Estratégia da Facisc, com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), revelam uma relação comercial crescente entre Santa Catarina e Portugal. Em 2025, as exportações catarinenses para Portugal somaram cerca de US$ 89 milhões, enquanto as importações ultrapassaram US$ 282,3 milhões, configurando um déficit na balança comercial. Esse cenário, a princípio negativo, indica na verdade um vasto espaço para a ampliação da presença empresarial do estado no mercado europeu.
Santa Catarina: um celeiro de inovação pouco explorado internacionalmente
O estado abriga um dos ecossistemas de inovação mais vibrantes da América Latina. Florianópolis é referência nacional em startups, Joinville destaca-se como polo tecnológico e industrial, enquanto Blumenau é reconhecida pelo desenvolvimento de software. Outras cidades, como Criciúma e Chapecó, também fortalecem empresas em áreas como inteligência artificial, automação, agritechs, healthtechs e indústria 4.0.
Apesar desse potencial, a presença internacional dessas empresas ainda é tímida. A exportação tecnológica e de serviços para Portugal é praticamente inexistente, evidenciando que Santa Catarina ainda exporta predominantemente produtos, mas poucas empresas inovadoras. O verdadeiro desafio da próxima década será impulsionar a internacionalização dessas companhias, captando investimentos, estabelecendo parcerias e integrando cadeias globais de inovação.
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Portugal como plataforma estratégica para o mercado europeu
Portugal vai além de um simples destino de exportação: é uma porta de entrada essencial para o mercado europeu. A afinidade cultural e linguística, aliada à estabilidade jurídica e à integração na União Europeia, criam um ambiente favorável para empresas brasileiras que buscam expandir suas operações internacionalmente. Além disso, o ecossistema de inovação português é dinâmico e atrativo para negócios tecnológicos.
Um exemplo concreto dessa aproximação é a realização do Startup Summit em Florianópolis, em agosto, promovido pelo Sebrae. A etapa catarinense da Startup World Cup, organizada pela portuguesa Fast Track Ventures, destaca a presença crescente do estado no circuito global da inovação. No entanto, eventos como esse são apenas o início: para que a internacionalização seja efetiva, é preciso continuidade, articulação institucional e preparo dos empresários para compreenderem mercados, regulamentos e construir relações de longo prazo.
Iniciativas para fortalecer a internacionalização catarinense
Para transformar potencial em resultados concretos, Santa Catarina precisa ampliar a cooperação entre empresas, universidades, investidores, ecossistemas de inovação e instituições públicas. A criação de pontes permanentes e a transformação de relações institucionais em relações comerciais são fundamentais.
Nesse contexto, destaca-se a International Business Access (IBA), uma plataforma que conecta empresários brasileiros a mercados estratégicos, promovendo relações qualificadas com investidores e instituições. O programa “Portugal Executive Access”, realizado em Lisboa durante o Web Summit, reúne empresários interessados em aprofundar seu entendimento do mercado europeu, acelerar a internacionalização e construir redes de negócios robustas. Os participantes também integram o IBA Board, comunidade internacional dedicada ao intercâmbio contínuo de conhecimento e desenvolvimento de relações empresariais.
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Transformação da mentalidade empresarial para a internacionalização
Mais importante do que programas específicos é a mudança de mentalidade que iniciativas como a IBA buscam estimular. A internacionalização não deve ser vista como exclusividade das grandes multinacionais, mas como uma estratégia acessível e necessária para empresas de todos os portes.
Os dados da Facisc demonstram que Santa Catarina já estabeleceu uma relação econômica sólida com Portugal. O próximo passo é ampliar essa relação para além do comércio tradicional, incorporando tecnologia, inovação e presença empresarial. O futuro econômico do estado dependerá cada vez menos da capacidade de produzir mais e mais da habilidade de construir relações e negócios nos mercados onde a inovação já está em curso.
Santa Catarina já provou ao Brasil sua competência em produção e inovação. Agora é hora de mostrar ao mundo sua capacidade de internacionalizar negócios, aproveitando o potencial tecnológico e o ecossistema de inovação que se fortalece a cada dia.

