Queda no Valor das Transações Upstream
Em março, o valor dos negócios no setor upstream de petróleo e gás somou US$ 5,55 bilhões, uma queda significativa em relação aos US$ 32 bilhões registrados em fevereiro. Essa redução não indica uma diminuição no interesse por aquisições, pois o número de transações manteve-se estável em 35, segundo análise da Rystad Energy. A diferença crescente entre as expectativas de preço de compradores e vendedores, em um cenário de incertezas no mercado de petróleo, é um dos fatores que explica essa queda.
A América do Sul destacou-se como a região mais ativa, respondendo por 55% do valor total das transações no mês de março. A América do Norte ficou com 16%, enquanto a Ásia contribuiu com 13%. Essa dinâmica regional reflete o contínuo interesse por ativos na América Latina, impulsionado por investimentos de capital asiático.
Negócios de Maior Destaque
O maior negócio do mês foi a aquisição da SierraCol Energy pela Prime Infrastructure, com sede nas Filipinas, por um valor estimado de US$ 1,4 bilhão. A SierraCol, que possui apoio da Carlyle, registrou uma produção média de aproximadamente 43,2 mil barris de óleo equivalente por dia entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. Este movimento é um indicativo do contínuo apetite por ativos produtores na América Latina, especialmente por parte de investidores asiáticos.
A Colômbia também se destacou, com a Parex Resources adquirindo o portfólio colombiano da Frontera Energy por US$ 725 milhões. Esse valor é US$ 124 milhões superior à proposta anterior de US$ 601 milhões feita pela Geopark pelos mesmos ativos, evidenciando a competição acirrada por ativos que geram caixa no curto prazo, mesmo em um ambiente de preços menos favoráveis.
Estabilidade nas Avaliações de Recursos
No primeiro trimestre de 2026, as avaliações de recursos upstream permaneceram estáveis em comparação ao último trimestre de 2025. Os ativos em produção foram transacionados, em média, a US$ 4,6 por barril de óleo equivalente, ligeiramente superior aos US$ 4,5 do trimestre anterior. Para os recursos em desenvolvimento, o preço médio subiu para US$ 3 por barril de óleo equivalente, em comparação a US$ 2,5, enquanto os ativos em fase de descoberta apresentaram uma leve queda, para US$ 1,5 por barril, ante US$ 1,7.
Aumento nas Avaliações de Reservas
Para estruturar negócios, as avaliações de reservas provadas (1P) subiram para cerca de US$ 10,5 por barril de óleo equivalente, um aumento em relação aos US$ 8,7 do quarto trimestre de 2025. Esse movimento foi impulsionado pela transação entre Parex e Frontera. As reservas provadas mais prováveis (2P) também aumentaram, alcançando aproximadamente US$ 8,6 por barril de óleo equivalente, contra US$ 6,7 anteriormente.
Queda na América do Norte
Na América do Norte, o valor dos negócios despencou cerca de 97% em relação ao mês anterior, totalizando aproximadamente US$ 862 milhões. Essa marca representa a primeira vez desde junho do ano passado que a região não ultrapassou a barreira de US$ 1 bilhão. A aquisição da Canadian Natural Resources dos ativos Peace River High, em Alberta, da Tourmaline, por C$ 765 milhões (equivalente a US$ 559 milhões), foi um dos principais motivos para essa queda. Essa operação reforça a estratégia de consolidação da Canadian Natural Resources em plays de shale e areias betuminosas no país.
Oportunidades no Mercado Global
De acordo com a Rystad Energy, atualmente existem cerca de US$ 95 bilhões em oportunidades de negócios no upstream a nível global, com a América do Norte concentrando a maior parte, cerca de US$ 57 bilhões, o que corresponde a 61% do potencial total. Os fatores estruturais que sustentam esse panorama incluem a consolidação entre empresas de exploração e produção de pequeno e médio porte, a disponibilidade de capital de private equity e o crescente interesse de compradores asiáticos em ativos de gás natural e gás natural liquefeito nos Estados Unidos.

