Tratamento Revolucionário com Cannabis para Cavalos
No início de 2025, um cavalo resgatado de um terreno baldio em Florianópolis, diagnosticado com câncer e sob recomendação de eutanásia, surpreendeu a todos ao viver dez meses a mais do que o previsto. O animal recebeu um tratamento inovador à base de cannabis, especificamente o uso de óleo rico em THC, e sua história será publicada em breve na revista científica Frontiers in Veterinary Science. Este trabalho marca um marco histórico na medicina veterinária, sendo o primeiro estudo a registrar o uso prolongado e seguro desse composto em equinos.
A pesquisa, realizada por veterinários da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em colaboração com instituições na Itália, teve como apoio o programa clínico Pet Cannabis e a doação dos produtos necessária para o tratamento pela Santa Cannabis. Segundo os pesquisadores, a terapia com canabinoides propiciou melhorias significativas no apetite, na condição física do animal, na dor e na mobilidade. Notáveis avanços na cicatrização da ferida foram observados, incluindo a epitelização, a redução do prurido e a cessação da automutilação. De acordo com o estudo, não houve efeitos adversos relevantes ou alterações laboratoriais indesejadas durante o tratamento.
Qualidade de Vida Aumentada Mesmo em Condições Críticas
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Apesar do agravamento de sua condição e da necessidade de eutanásia devido à dor persistente, a qualidade de vida do cavalo melhorou consideravelmente durante a maior parte do tratamento. Os pesquisadores enfatizaram que este caso demonstra o potencial dos óleos de cannabis, ricos em THC e CBD, como uma alternativa segura e eficaz para cuidados paliativos em animais que enfrentam doenças crônicas e resistentes.
O cavalo, que foi nomeado Hope, foi encontrado em estado crítico em outubro de 2024. Pesando cerca de 400 quilos, o animal estava severamente desnutrido, com lesões ulcerativas nas pernas e infecção óssea, apresentando uma dor que não respondia a tratamentos convencionais. Diante da gravidade do quadro e a impossibilidade de cirurgia, os cuidadores consideraram a eutanásia como última alternativa.
Início de um Tratamento Inovador
Antes de tomar essa decisão, Hope foi encaminhado ao programa social clínico Pet Cannabis. O tratamento começou com a administração de óleos da Santa Cannabis, que continham 100 mg/mL de THC e 100 mg/mL de CBD. A aplicação dos óleos era realizada via oral e diretamente sobre a lesão.
O responsável pela pesquisa, Dr. Rodrigo Zamith Cunha, da Universidade de Bologna e UFRRJ, destacou a importância deste estudo na introdução da cannabis como uma opção terapêutica na dermatologia e oncologia veterinária. “Este caso é de tamanha importância que acabou de ser aprovado em uma revista Q1, significando um peso internacional considerável. Embora não possua poder estatístico, a função deste estudo é expor essa nova técnica a profissionais e à sociedade científica”, explicou.
A História de Hope e os Resultados do Tratamento
Pedro Sabaciauskis, presidente da Santa Cannabis, que já atendeu mais de 13 mil pacientes, compartilhou sua emoção ao relatar a recuperação de Hope. “A história dele toca a todos nós, pois observamos um animal dócil que, em sofrimento, praticamente voltou à vida. Isso ressalta a relevância do THC terapêutico. A Anvisa recentemente regulamentou a cannabis na veterinária, mas até agora apenas para o CBD.”
Os resultados do tratamento foram impressionantes e evidentes em poucas semanas. Hope não apenas voltou a se alimentar normalmente, como também recuperou sua capacidade de deitar e levantar-se de forma autônoma. Em janeiro de 2025, foi até visto trotando, e o comportamento de automutilação foi completamente erradicado em um período de duas semanas. A lesão, que antes era crítica, transformou-se em uma ferida estabilizada.
Embora a gravidade da infecção óssea tenha avançado para um quadro irreversível nos meses finais, levando à eutanásia em setembro de 2025 devido à dor refratária, os pesquisadores afirmam que os objetivos de tratamento paliativo foram plenamente alcançados. Hope viveu com qualidade de vida durante a maior parte de seu tratamento, sem experimentar efeitos colaterais adversos.

