Conflito que Paralisou a Indústria do Carvão
No dia 2 de maio de 1926, o clima político na Grã-Bretanha se tornava tenso com a solicitação dos mineiros por um adiamento de 15 dias do ‘lock-out’ e a continuidade do subsídio. O primeiro-ministro Stanley Baldwin se ofereceu para ampliar o subsídio, mas impôs como condição reuniões temporárias sobre os salários, o que a comissão do carvão considerava essencial para a reorganização da indústria. Diante da proposta, os mineiros rejeitaram veementemente qualquer redução, encerrando as negociações de forma abrupta.
A partir da meia-noite, a indústria do carvão foi paralisada, deixando cerca de um milhão de mineiros sem emprego. As minas tornaram-se desertas, restando apenas profissionais responsáveis pela segurança dos locais. Antes do anúncio oficial da greve, o secretário Chamberlain alertou: ‘Todos os lares do país enfrentam uma calamidade nacional e individual’. Para se preparar para a crise, ações de organização de abastecimento já estavam sendo realizadas há meses. Jornais começaram a divulgar pedidos de voluntários para auxiliar no transporte de suprimentos.
O secretário dos mineiros, Cook, anunciou que as tentativas de evitar a greve falharam completamente, e a reunião dos mineiros foi suspensa por 21 horas. O governo planejava declarar estado de emergência ainda naquela noite. As negociações falharam após a recusa dos mineiros em aceitar o retorno dos salários à tarifa de 1921, insistindo na manutenção das taxas atuais até que a reorganização da indústria fosse efetivada.
Estado de Emergência e Mobilização Nacional
Em decorrência da greve, o Rei proclamou um estado de ‘circunstâncias excepcionais’. Os sindicatos se reuniram ao meio-dia para discutir o apoio aos mineiros, planejando uma possível greve geral na terça-feira, caso não houvesse um acordo com os empregadores até lá. A rejeição dos mineiros a voltarem aos salários anteriores levou à falência das negociações, resultando em uma proclamação real que conferia plenos poderes ao governo para lidar com a situação emergente.
Os diretores ferroviários concluíram planos de emergência nas principais linhas, garantindo que, em caso de ‘lock-out’, o transporte de alimentos fosse assegurado. Além disso, era possível que trens de passageiros transportassem carvão armazenado, com as reservas suficientes para durar até treze semanas.

