A jornada de Vinícius Ramos do RH ao empreendedorismo no cultivo de ostras
Com uma decisão audaciosa, Vinícius Ramos, um ex-profissional da área de Recursos Humanos, mudou sua carreira ao vender seu carro e investir cerca de R$ 15 mil da rescisão em um novo sonho: cultivar ostras em Florianópolis. Atualmente, ele lidera uma fazenda marinha que movimenta cerca de R$ 3,6 milhões todos os anos.
A decisão de abandonar uma rotina intensa de trabalho no RH em busca de uma vida mais próxima do mar foi um divisor de águas para Vinícius. Ele escolheu o distrito de Caieiras da Barra do Sul, em Florianópolis, uma região com forte tradição na produção de ostras e mexilhões. “Como juntar o útil ao agradável?”, reflete sobre o momento que o levou a considerar o empreendedorismo.
Santa Catarina é pioneira na produção de ostras no Brasil, respondendo por impressionantes 98% da produção nacional. Essa realidade se tornava uma oportunidade irresistível para Vinícius, que vislumbrou ali um potencial promissor.
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O processo de cultivo, na prática, assemelha-se a uma agricultura marítima. O empreendedor realiza a compra de sementes em laboratórios, cultiva-as no mar e as colhe meses depois. “Nós somos fazendeiros do mar”, brinca Vinícius, com bom humor.
A transição exigiu um planejamento meticuloso e adaptação ao novo cenário. A experiência anterior em gestão foi crucial para a organização financeira e controle de custos. As sementes, que são quase microscópicas, passam por diferentes fases de crescimento em estruturas flutuantes até que atinjam o tamanho ideal para a venda, um processo que leva aproximadamente nove meses.
Um dos fatores que diferencia a produção de Vinícius é o conceito de “marroir”, inspirado no terroir dos vinhos, que relaciona as características ambientais ao sabor do produto. Ele explica que elementos como alta salinidade, águas profundas e a proximidade com o mar aberto influenciam diretamente na qualidade das ostras cultivadas na região. “A gente consegue sentir o cheiro da nossa ostra à distância”, afirma.
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A identidade do produto também desempenhou um papel fundamental no posicionamento da marca no mercado gastronômico. Atualmente, uma dúzia de ostras é comercializada por cerca de R$ 25, com a maior parte das vendas direcionadas a restaurantes e consumidores finais.
Para se destacar no setor, Vinícius adotou uma abordagem proativa: a degustação. Ele começou a participar de encontros com proprietários de restaurantes, oferecendo ostras gratuitamente para criar um relacionamento com potenciais clientes. “Ali eu tinha um canal aberto com o cliente”, comenta.
Os resultados dessa estratégia foram rápidos e promissores. Além de atender restaurantes em Santa Catarina, a empresa passou a exportar ostras para diversos estados do Brasil. Com um sistema logístico de temperatura controlada, o produto pode ser mantido vivo por até cinco dias, já tendo sido entregue até mesmo em Jericoacoara, no Ceará.
Mais recentemente, Vinícius também expandiu suas atividades para o turismo. A fazenda marinha agora oferece visitas guiadas que apresentam todas as etapas do cultivo, com uma degustação do produto final no próprio mar. Este passeio tem um custo de aproximadamente R$ 750 por grupo.
Contudo, para Vinícius, o que realmente conta não é apenas o faturamento milionário. “Se der dinheiro, que bom. Mas estar feliz com o que está fazendo é a receita perfeita”, conclui.

