Transformação pela Escalada
Em 2012, a minha vida estava descontrolada. A dependência de remédios para dormir e acordar se tornou rotina. Tomava um comprimido que era bastante comum entre executivos da época, conhecido por seu efeito calmante, além de outro para controlar o colesterol. A situação era caótica. O que vivi é um clichê: alguém que vê a saúde se deteriorar em razão do trabalho, mesmo amando o que faz. Como sócio de uma empresa de tecnologia, não percebi os sinais de que estava enfrentando um burnout, uma condição que apesar de já ser reconhecida em alguns lugares, ainda era pouco compreendida na época.
O diagnóstico veio de um médico que conheci através da minha filha. Ele me alertou sobre a Síndrome de Burnout, que estava começando a ser reconhecida mundialmente. A gota d’água foi um desmaio repentino no trânsito, que poderia ter resultado em uma tragédia. Hoje, percebo que tive uma dose de sorte. Antes desse colapso, vivia episódios de ansiedade e taquicardia, muitas vezes me via parando em farmácias para medir a pressão, convencido de que algo não ia bem comigo.
Momentos críticos como esses, relacionados a AVCs ou infartos, são transformadores. Se você não muda após experiências assim, corre o risco de entrar em um ciclo destrutivo que exige intervenção profissional. A maioria das pessoas, ao contrário, faz mudanças significativas em suas vidas: param de fumar, de beber. É o momento em que percebe que precisa mudar de direção, como quem pega o guidão de uma bicicleta e procura um caminho mais saudável. É nesse contexto que começamos a buscar por uma vida mais plena. Naquele período de 2012 a 2013, por sorte, as redes sociais não tinham o impacto que têm hoje. Isso me ajudou a escapar daquele ciclo vicioso.
Naquela época, minha atuação digital foi mínima. Acredito que esse fato foi crucial para minha recuperação, pois atualmente, um dos maiores desafios que as pessoas enfrentam é a inundação de estímulos provenientes das redes sociais e da inteligência artificial, que podem facilmente desviar a atenção da saúde mental.
A primeira ação que tomei foi desconectar-me rapidamente do ambiente digital. A segunda, buscar amigos que já tinham um estilo de vida mais ligado à natureza. Eles me incentivaram a ir para os Himalaias, a explorar o Annapurna, o Campo Base do Everest ou mesmo Machu Picchu. O conselho era claro: jogue-se nessa experiência! Durante a reestruturação da minha saúde, passei três meses sem consumir açúcar e refrigerantes. Essa mudança transformou não apenas meu corpo, mas também minha percepção dos aromas ao meu redor.

