Rã-touro: uma ameaça sonora e ambiental em Florianópolis
Conhecida como uma espécie invasora e perigosa, a rã-touro (Aquarana catesbeiana) chamou a atenção das autoridades ambientais de Florianópolis, Santa Catarina, que iniciaram seu monitoramento recentemente. Seu nome popular deriva do som grave que produz, parecido com o mugido de um boi, o que já impressiona moradores ao redor do bairro Ratones, onde foi detectada pela primeira vez em outubro de 2025.
Origem, características e impacto da rã-touro
Originária da América do Norte, a rã-touro foi introduzida no Brasil em 1935 para fins comerciais, principalmente para criação em ranários e comércio de carne. Considerada uma espécie generalista, possui uma dieta diversificada que inclui peixes, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos. O Laboratório de Ecologia de Anfíbios e Répteis (UFSC) destaca que seu tamanho avantajado a torna uma predadora eficaz, capaz de competir com espécies nativas e ocupar seus nichos ecológicos.
Além disso, a rã-touro representa risco à saúde da fauna local, podendo transmitir doenças graves a anfíbios nativos, peixes e répteis. Em Santa Catarina, ela está classificada como “Categoria 1” na lista oficial de espécies exóticas invasoras, o que ressalta sua importância no monitoramento ambiental.
Leia também: Como a Startup Avalo Home Está Revolucionando o Setor de Limpeza em Florianópolis
Leia também: Oportunidades de Fomento Internacional em Ciência e Inovação em Chapecó
Monitoramento e ações em Florianópolis
O primeiro registro oficial em Florianópolis ocorreu em outubro de 2025, no bairro Ratones. Desde então, equipes ambientais realizaram duas operações de campo para captura e análise dos espécimes. Em novembro de 2025, foram capturadas dez rãs (três juvenis e sete adultos) e, em março de 2026, mais um indivíduo foi apreendido.
A presença da rã-touro foi confirmada em três propriedades da região, e relatos dos moradores sugerem que a espécie pode estar no local há mais tempo, o que reforça a necessidade de um mapeamento detalhado. Os animais capturados foram encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC para exames, incluindo testes para ranavírus e quitridiomicose.
Fábio Henrique Machado, presidente da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente), explica que o trabalho segue uma estratégia de detecção precoce e resposta rápida. “Quando uma espécie exótica é identificada logo no início, é possível compreender melhor a situação, mapear sua ocorrência e tomar decisões fundamentadas, em parceria com as demais instituições e com a comunidade”, destaca.

