Leilão do CentroSul movimenta mercado de eventos em Florianópolis
Na sexta-feira, 18 de setembro, Florianópolis enfrenta um momento decisivo para o turismo de eventos local. O CentroSul, principal centro de convenções da cidade, terá seu futuro definido em um leilão realizado na B3, em São Paulo, enquanto mais de 4 mil participantes de um congresso de medicina laboratorial circulam pelo complexo. Essa coincidência evidencia a relevância do ativo que estará em disputa.
A sessão pública do leilão começa às 14h, com valor mínimo da outorga fixado em R$ 16,5 milhões. Esse valor, no entanto, é apenas o ponto de partida para uma disputa que pode elevar significativamente o preço final. As empresas interessadas poderão aumentar suas propostas durante o processo, e vencerá provisoriamente quem oferecer a maior outorga, sujeita à análise da documentação conforme o edital.
Disputa financeira e interesse dos grupos
Ao contrário de uma simples abertura de propostas, os documentos iniciais já foram entregues na segunda-feira, 14 de setembro, e a etapa de sexta-feira é quando a competição financeira se torna pública. Até a última verificação em 16 de setembro, não havia divulgação oficial do número de propostas protocoladas. A Prefeitura informou que oito grupos demonstraram interesse no edital, entre eles empresários ligados ao Expocentro de Balneário Camboriú, administradores do Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), de Brasília, e representantes da atual operação do CentroSul, além de interessados de outros estados e um grupo com participação estrangeira.
A quantidade de participantes impacta diretamente no potencial de ágio sobre o valor mínimo. A secretária municipal de Licitações, Contratos e Parcerias, Katherine Schreiner, indicou que a disputa pode ultrapassar R$ 20 milhões. Há especulações, ainda não confirmadas oficialmente, sobre propostas próximas ou superiores a R$ 50 milhões.
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Compromissos financeiros e exigências do edital
Além do valor inicial da outorga, o futuro operador terá que arcar com uma outorga anual de R$ 250 mil, corrigida pelo IPCA, totalizando cerca de R$ 8,75 milhões ao longo do contrato de 35 anos. Os investimentos obrigatórios no CentroSul somam R$ 53,4 milhões, destinados a obras e melhorias, e não fazem parte da outorga disputada.
O novo concessionário deverá criar uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com capital mínimo de R$ 7,8 milhões. Também são exigidas garantias financeiras de 1% para a proposta e 5% para a execução do contrato.
Transformações previstas para o CentroSul
A concessão vai além da simples administração de eventos. O investimento previsto de R$ 53,4 milhões contempla uma ampla modernização do CentroSul, incluindo melhorias internas, fachadas, estacionamento, arruamento, drenagem e uma nova estrutura para o CORE da Polícia Civil. Uma área gastronômica de aproximadamente 1,5 mil metros quadrados voltada para o mar será criada para atrair público mesmo nos dias sem eventos, gerando receita adicional.
O projeto prevê ainda um estacionamento com pelo menos 350 vagas, alterações nos acessos para reduzir filas na Avenida Gustavo Richard, obras de drenagem e uma nova passarela com acessibilidade aprimorada. A concessionária poderá propor soluções arquitetônicas próprias, desde que atendam aos requisitos do edital.
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Capacidade ampliada e impacto econômico
Segundo o secretário municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico, Juliano Richter Pires, a expansão estimada entre 20% e 25% permitirá ao CentroSul receber entre 98% e 99% dos formatos de eventos realizados no Brasil, com possibilidade de até três eventos simultâneos. Eventos recentes, como o Startup Summit 2026, que reuniu cerca de 10 mil participantes, e o Encatho & Exprotel, com 5.517 pessoas, mostram a demanda constante fora da temporada de verão.
Essa movimentação é importante para setores como hotéis, restaurantes e transportes, que dependem de eventos para manter a ocupação durante meses com menor fluxo turístico. Dados da ABIH-SC indicam que, em setembro do ano passado, a ocupação hoteleira média em Florianópolis e região foi de 57,3%, chegando a 65,3% na região central, onde está localizado o CentroSul.
Operação atual e perspectivas para a concessão
O atual consórcio operador informa que o CentroSul realiza em média 70 eventos e registra 105 dias de ocupação por ano, com receita estimada em R$ 88 mil por dia de evento, totalizando cerca de R$ 9,24 milhões anuais. Esses números, embora não auditados, indicam a relevância econômica do equipamento.
A Prefeitura garante que a comercialização de eventos continuou durante a preparação da concessão e que o novo concessionário deve assumir a gestão em janeiro de 2027, com agenda já contratada para os dois anos seguintes. O leilão de sexta-feira, portanto, não apenas define o controlador do CentroSul, mas impacta diretamente a dinâmica do turismo de eventos em Florianópolis para as próximas décadas.

