O início discreto de uma trajetória tecnológica
Entre 2008 e 2026, o portal De Olho na Ilha registrou 1.306 matérias que mencionam a ACATE, traduzindo quase duas décadas de evolução do ecossistema tecnológico em Santa Catarina. A trajetória da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia não se limita a números; ela revela uma transformação profunda que vai da incubação de startups à consolidação de um polo tecnológico nacional.
O pontapé inicial foi modesto. Em 10 de novembro de 2008, o MIDI Tecnológico, incubadora mantida pelo Sebrae/SC e gerida pela ACATE, abriu inscrições para novos empreendedores. Naquele momento, a associação atuava nos bastidores, oferecendo espaço e suporte para projetos ainda frágeis ganharem estrutura e confiança. Essa porta aberta sinalizava uma mudança cultural no ambiente empresarial local.
Expansão do ecossistema catarinense
Em 2009, a ACATE já ultrapassava os limites de Florianópolis. Com mais de 250 empresas associadas espalhadas pelo estado, fortalecia uma rede que conectava cidades como Joinville, Blumenau e Criciúma, consolidando Santa Catarina como um polo tecnológico diversificado. A associação começou a atuar não só como gestora de incubadoras, mas também como articuladora empresarial e agente de políticas públicas.
O ano de 2010 marcou a definição de metas claras: qualificar talentos e internacionalizar o mercado de tecnologia. A ACATE assumiu o polo catarinense de games e entretenimento digital, aproximando educação, inovação e negócios. Em 2011, recebeu reconhecimento público pela Assembleia Legislativa pelos seus 25 anos e participou ativamente na elaboração da Lei Municipal de Inovação de Florianópolis, sinalizando o papel da associação na construção do ambiente regulatório para inovação.
Consolidação e diálogo com governo e setor privado
Entre 2012 e 2013, a ACATE avançou na infraestrutura do setor. O projeto Floripa Tec Park, apoiado pelo CNPq, ampliou o MIDI Tecnológico e criou um espaço dedicado à inovação. A aprovação da Lei de Inovação de Florianópolis e a nomeação de um ex-presidente da ACATE para a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia reforçaram o alinhamento entre governo e setor privado.
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De 2014 a 2017, a associação ampliou sua atuação em financiamento, defesa do ambiente de negócios e promoção de eventos que aproximavam empresas e empreendedores. A inauguração da unidade em São Paulo e o reconhecimento de Florianópolis como a cidade brasileira com maior densidade de startups evidenciaram a crescente influência da ACATE e do ecossistema local.
Impactos da pandemia e crescimento acelerado
O ano de 2020 foi um teste para a ACATE. A pandemia acelerou a transformação digital, e a associação respondeu com programas para apoiar empresas impactadas, conectar profissionais a vagas e promover a digitalização de pequenos negócios. O CASE Startup Summit online reuniu mais de 25 mil participantes, ampliando o alcance do ecossistema catarinense.
Em 2021, a escassez de talentos levou à parceria com o SENAI para formar desenvolvedores pelo programa DEVinHouse. Entre 2015 e 2020, o número de empresas de tecnologia em Santa Catarina cresceu 63,2%, reforçando a importância da formação profissional para sustentar o desenvolvimento econômico da região.
Internacionalização, reconhecimento e expansão
De 2022 a 2025, a ACATE se consolidou como ponte entre diferentes atores do setor, conectando startups a franquias, empreendedores a investidores internacionais e o estado a hubs globais. O setor tecnológico passou a representar 10% do PIB catarinense, com mais de 50 mil pessoas impactadas pelos programas de formação da associação.
O reconhecimento internacional veio com prêmios como o Startup Ecosystem Stars em Paris. Em 2026, ao completar 40 anos, a ACATE foi homenageada pela Assembleia Legislativa e estreitou sua relação com a FIESC. Florianópolis figurou entre os 20 principais ecossistemas de startups da América Latina, e um acordo para criar um bureau de negócios em Miami reforçou a conexão internacional.
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O impacto real no mercado de trabalho e na sociedade
A matéria publicada em agosto de 2026 destacando Santa Catarina como o segundo maior polo de empregos em tecnologia no Brasil confirma a consolidação do setor. Com 102,2 mil empregos formais e um faturamento de R$ 47,9 bilhões, o setor representa 8% do PIB estadual e 8,53% dos trabalhadores tecnológicos do país.
Além dos números, o impacto social da tecnologia aparece na interação entre estudantes e profissionais, como a visita de alunos do Instituto Estadual de Educação à ACATE para discutir inteligência artificial e ética. Essa conexão entre escala e humanização mostra como a associação equilibra crescimento econômico e reflexão sobre o papel da tecnologia na vida cotidiana.
ACATE como espaço de convergência e construção coletiva
Mais do que uma entidade, a ACATE funciona como uma praça onde diferentes atores do ecossistema tecnológico se encontram, debatem, se apoiam e constroem o futuro juntos. Sua história, acompanhada pelo De Olho na Ilha, demonstra como a inovação pode sair do discurso e se transformar em ação concreta, impactando serviços, trabalho e desenvolvimento econômico em Santa Catarina.
Essa narrativa permanece aberta, acompanhando as mudanças e desafios que a tecnologia impõe. A ACATE não apenas segue inovando, mas também ajuda a moldar o que vem a seguir, reforçando o protagonismo de Santa Catarina na cena tecnológica nacional e internacional.

