Santa Catarina e o Crescimento das Compradoras de Tecnologia
Nos últimos meses, o mercado de tecnologia em Santa Catarina ganhou destaque não apenas pelas rodadas de investimento, mas pelo protagonismo das empresas que estão comprando outras companhias. Recentes aquisições da Senior Sistemas, Selbetti e Asaas têm colocado o estado em evidência no cenário de fusões e aquisições (M&A), mostrando um movimento de empresas mais capitalizadas e com estratégias de expansão mais sofisticadas. Essas operações indicam um ambiente mais seletivo para negócios que buscam crescer de forma independente.
Empresas Catarinenses Ampliam Estratégias de Crescimento
A Senior Sistemas anunciou a maior aquisição de sua história ao investir R$ 318,7 milhões na compra da Salú, uma HRtech especializada em saúde ocupacional. A Selbetti, por sua vez, realizou três aquisições em pouco tempo, enquanto a fintech Asaas pagou R$ 150 milhões pela HelenaCRM. Juntas, essas companhias, somadas à Starian/Softplan, formam um grupo crescente de empresas catarinenses que adotam a consolidação de mercado como eixo principal para crescimento.
Mais do que os valores envolvidos, o que chama atenção é a estratégia por trás dessas movimentações. Empresas com caixa robusto, ampla carteira de clientes e capacidade de integrar novos produtos estão oferecendo caminhos mais rápidos para expansão e liquidez a negócios que demorariam mais para avançar sozinhos. Essa dinâmica muda a forma como se observa o ecossistema regional, que passa a valorizar também o papel das compradoras.
Maturidade do Ecossistema Além das Rodadas de Investimento
A maturidade de um ecossistema tecnológico nem sempre se reflete em novas startups ou em valuations bilionários. Muitas vezes, ela se manifesta quando empresas locais começam a adquirir outras, integrando soluções e reorganizando mercados. A fintech Asaas, fundada em Joinville, é um exemplo emblemático, com sua quinta aquisição e a segunda anunciada em 2026, demonstrando que está assumindo o papel de consolidadora no setor.
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Fonte: belembelem.com.br
Já a Selbetti acumula 47 aquisições desde 2014, média de quase quatro operações por ano, consolidando um portfólio que abrange desde infraestrutura e outsourcing de impressão até automação, inteligência artificial e cibersegurança. A Senior, com mais de 30 operações de M&A nos últimos dez anos, ampliou sua atuação em diferentes setores, incluindo logística e educação corporativa. A Starian/Softplan, que captou R$ 640 milhões em 2025 para aquisições, também reforça esse movimento de consolidação em Santa Catarina.
Um Mercado Ativo e Mais Seletivo
O Brasil fechou 2025 com 1.581 operações de fusões e aquisições, mantendo o volume do ano anterior. O setor de tecnologia liderou, concentrando cerca de 40% dessas transações, segundo a KPMG. A reprecificação dos ativos num contexto de juros elevados abriu espaço para compradores com capital disponível, especialmente no setor tecnológico, impulsionando as consolidadoras.
O ciclo de abundância de recursos dos primeiros anos da década deu lugar a uma fase em que investidores exigem mais eficiência e previsibilidade. Assim, vender ou integrar-se a plataformas maiores pode ser hoje uma alternativa mais viável para muitas empresas do que buscar novas rodadas de investimento. Para adquirentes com bom caixa, negócios com produtos sólidos e dificuldades para financiar expansão tornam-se ativos estratégicos, muitas vezes avaliados em valores mais racionais.
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Fonte: soudejuazeiro.com.br
Desafios e Impactos no Ecossistema Regional
Ter compradores locais é um sinal importante de maturidade, pois amplia opções de saída para empreendedores e investidores, mantendo parte da inteligência e das decisões estratégicas próximas ao ambiente onde os negócios nasceram. No entanto, não basta considerar cada aquisição como sinônimo de fortalecimento do ecossistema. O avanço dos M&As pode concentrar mercados e elevar barreiras para novos empreendedores.
Além disso, o desafio operacional de integrar produtos, equipes e culturas é grande. Concluir a compra é a parte visível; o teste real está na capacidade de gerar sinergias e apresentar propostas claras ao mercado. Nem toda aquisição cumpre essas expectativas, e o sucesso da consolidação depende da eficiência na integração.
Portanto, um ecossistema saudável precisa ir além das compradoras locais. É essencial continuar fomentando novas empresas, disponibilizando capital para os estágios iniciais e criando condições para que negócios possam escolher entre vender, captar investimento ou crescer de forma independente. A próxima questão para o mercado de tecnologia em Santa Catarina não é apenas quais empresas serão adquiridas, mas se o ambiente continuará formando as próximas compradoras.

