São José do Barreiro e sua tradição cultural em destaque
Localizada a cerca de 270 quilômetros de Paulo (SP), São José do Barreiro é uma das sete vilas brasileiras que concorrem ao selo ‘Melhores vilas turísticas do Mundo’, iniciativa promovida pela ONU Turismo. O município se destaca pela valorização do patrimônio cultural e natural, pelo compromisso com a sustentabilidade e pela promoção do desenvolvimento local. Um dos símbolos culturais que marcam a cidade é o som da viola caipira, tocada por artistas locais, que embala os festejos típicos da região.
Além da música, São José do Barreiro mantém viva a tradição da Festa da Folia de Reis, que preserva as preces e costumes regionais, e abriga o Cemitério dos Escravizados, espaço protegido pelo Patrimônio Estadual. Essas manifestações culturais convivem com importantes construções do século 19, como a Fazenda Pau D’Alho, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1968. A fazenda guarda na arquitetura colonial e nas paredes de taipa as memórias do Ciclo do Café, que marcou a história local.
Belezas naturais e comprometimento com a preservação ambiental
Além do seu patrimônio histórico, São José do Barreiro é a principal porta de entrada paulista para o Parque Nacional da Serra da Bocaina. O parque integra o sítio “Paraty e Ilha Grande – Cultura e Biodiversidade”, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Para os amantes do ecoturismo e do turismo de aventura, a região oferece uma Mata Atlântica preservada, com cachoeiras exuberantes e a famosa Trilha do Ouro, rota histórica utilizada desde o Período Colonial.
O compromisso ambiental da cidade vai além do parque nacional. São José do Barreiro possui cinco Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), que são essenciais para a conservação da biodiversidade local, reforçando a proteção do ecossistema da região.
Critérios e concorrentes na disputa pelo selo internacional
A seleção das vilas que disputam o selo da ONU Turismo foi realizada pelo Ministério do Turismo (MPor), que escolheu as sete localidades a partir de dez inscrições. Entre os critérios para participação estão a população de até 15 mil habitantes, a presença significativa de atividades tradicionais como agricultura, silvicultura, pecuária ou pesca, e a manutenção de um estilo de vida comunitário.
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O resultado final será divulgado em dezembro, em Buenos Aires, na Argentina. As vilas brasileiras competem com outras 261 de todas as partes do mundo, reforçando a importância do patrimônio rural e cultural como atrativo turístico.
Histórico das vilas brasileiras reconhecidas
Desde sua criação, a ONU Turismo recebeu mais de mil inscrições de mais de 100 países. Atualmente, a Rede de Melhores Vilas Turísticas reúne 319 destinos rurais no mundo todo. No Brasil, 27 vilas já foram indicadas até este ano, com duas delas recebendo reconhecimento internacional: Testo Alto, em Pomerode (SC), famosa pela Rota do Enxaimel, e Antônio Prado (RS).
A Rota do Enxaimel em Pomerode destaca-se pela maior concentração fora da Europa de casas construídas com a técnica alemã que dispensa pregos ou parafusos, utilizando apenas encaixes de madeira. São aproximadamente 50 residências ao longo de 16 km, em um percurso tombado como patrimônio paisagístico pelo Iphan.
Já Antônio Prado preserva a cultura da imigração italiana no Brasil. Cerca de 80% de sua população fala o talian, um dialeto que mistura idiomas do norte da Itália com o português, e o município mantém um rico patrimônio histórico e cultural.
Outras vilas brasileiras que representam o país na competição
Além de São José do Barreiro, outras vilas brasileiras disputam o selo internacional:
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Conceição de Ibitipoca (Lima Duarte/MG): situada na Serra da Mantiqueira, a vila mantém heranças ligadas ao ciclo do ouro e é conhecida pela proximidade com o Parque Estadual do Ibitipoca, um dos principais destinos de ecoturismo no país, com trilhas, cachoeiras e grutas.
Araçá (Porto Belo/SC): com pouco mais de 1.100 habitantes, destaca-se pela natureza preservada e tradições comunitárias. Localizada em área de proteção ambiental no litoral catarinense, tem forte ligação com a pesca artesanal e oferece experiências turísticas autênticas, como passeios em embarcações tradicionais e trilhas costeiras.
Delfinópolis (MG): parte da Serra da Canastra, o município combina turismo de natureza, cultura e produção rural, sendo conhecido pelas cachoeiras, trilhas e pela produção do Queijo Minas Artesanal e Café da Canastra, que valorizam a identidade local.
Holambra (SP): conhecida como a Capital Nacional das Flores, Holambra mantém a cultura dos imigrantes holandeses, refletida na arquitetura, gastronomia e eventos culturais. O município é responsável por grande parte da produção e exportação de flores no Brasil, com o Moinho Povos Unidos como um dos principais símbolos.
Lençóis (BA): porta de entrada da Chapada Diamantina, oferece patrimônio histórico, natureza exuberante e forte participação comunitária no turismo, com cachoeiras, cavernas, rios e cânions que atraem visitantes em busca de ecoturismo e aventura.

