Transformações Tecnológicas no Cenário Geopolítico
Florianópolis, 29 de abril de 2026 – Em meio a um panorama global marcado por tensões geopolíticas, a necessidade de ciberdefesa, inteligência artificial, sistemas autônomos e integração de dados se torna crucial, muitas vezes superando a importância da força militar convencional. Essa análise é de Vandyck Silveira, especialista que participou do webinar intitulado “O Novo Tabuleiro Global: Como as tecnologias estão redesenhando a geopolítica”, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa (Condefesa) da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). O evento virtual, ocorrido na quarta-feira (29), contou com a presença de diversos especialistas que debateram os impactos das inovações tecnológicas no cenário internacional.
Silveira enfatizou que o poder estratégico atualmente não se baseia apenas em exércitos e armamentos, mas se torna cada vez mais dependente da capacidade tecnológica disponível. Analisando conflitos recentes, o especialista apontou que tecnologias assimétricas, como drones e sistemas não tripulados, possibilitam que nações com menor capacidade bélica consigam resistir e impor desafios relevantes a potências militares. Esse movimento, segundo ele, promove um acesso ampliado a capacidades estratégicas, contribuindo para uma maior “equalização” do poder global.
Lacunas e Oportunidades no Brasil
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Silveira também destacou as lacunas que o Brasil enfrenta, principalmente nas áreas de defesa antiaérea e antimíssil, e defendeu a necessidade de uma modernização constante em face do avanço das tecnologias autônomas. Nesse cenário, ele sublinhou a importância da ciberdefesa, que apresenta uma relação de custo-benefício mais favorável quando comparada a operações convencionais, permitindo um impacto estratégico significativo com investimentos menores.
Ele citou, por exemplo, soluções como a Starlink, que potencializam a resiliência das comunicações em situações críticas, assegurando comando e controle mesmo na ausência de infraestrutura terrestre. De acordo com Silveira, o desenvolvimento de tecnologias nacionais, incluindo sistemas não tripulados e soluções de conectividade estratégica, seria um caminho viável para o Brasil aumentar sua autonomia e eficiência no setor de defesa.
A Evolução dos Conflitos e o Papel da Inovação
Além disso, o especialista observou que a evolução tecnológica está mudando a dinâmica dos conflitos. Avanços em computação quântica, inteligência artificial aplicada em contextos de combate e a utilização de sistemas autônomos deverão aumentar a capacidade destrutiva enquanto reduzem os custos operacionais. Essa dualidade, afirma, pode intensificar riscos, mas também abrir espaço para novas soluções diplomáticas.
Em sua fala, Silveira defendeu uma aproximação mais estreita entre as universidades e o setor de defesa, além do fortalecimento da produção tecnológica nacional, como formas de garantir que o Brasil se adeque a essas novas realidades.
Segundo Cesar Olsen, presidente do Condefesa, Santa Catarina vem se afirmando cada vez mais como protagonista no setor de defesa nos últimos anos. “O estado deslocou o eixo Rio–São Paulo com a SC Expo Defense, que tem sido um evento fundamental para o fortalecimento de uma base industrial de defesa robusta, capaz de responder às demandas e reforçar a soberania, criando conexões entre a indústria, inovação, Forças Armadas e academia”.
SC Expo Defense 2026: Foco em Inovação e Tecnologia
A FIESC está organizando a SC Expo Defense 2026, a ser realizada nos dias 21 e 22 de maio. Esta quarta edição do evento terá como foco a inovação e tecnologia em defesa e segurança, reunindo indústrias, startups, forças de segurança, governo e centros de pesquisa para fomentar parcerias e gerar novas oportunidades.
Informações do Evento
Data: 21 e 22 de maio
Local: Sede da FIESC, em Florianópolis
Mais informações: FIESC

