Defesa Civil e Desastres Naturais em Foco no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul enfrenta uma ampla gama de desastres naturais, que vão desde enchentes e deslizamentos de terra até estiagem, granizo e tornados. Segundo o coronel Luciano Boeira, coordenador Estadual da Defesa Civil, o estado reúne praticamente todos os tipos de eventos listados na Cobrade, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres, uma ferramenta que organiza esses acontecimentos em grupos como geológicos, hidrológicos e meteorológicos.
Essa classificação pode ser comparada ao CID, sistema global da Organização Mundial da Saúde (OMS) que padroniza diagnósticos médicos. No caso do RS, o cenário mostra que o estado está exposto a quase todos os riscos possíveis, resultado de uma combinação entre fatores geográficos, meteorológicos, ocupação humana e os efeitos das mudanças climáticas.
O Desafio da Adaptação e a Ação da Comunidade
Frente a esse diagnóstico, existe a opção de se preocupar ou agir. Um grupo de voluntários, especialistas, pesquisadores e gestores públicos da região do Alto Uruguai escolheu a ação. Entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro, Erechim sedia o 1º Clima Summit – Treinamento de Resposta a Desastres e Encontro de Voluntários, uma iniciativa focada na capacitação de gestores públicos, equipes da Defesa Civil, profissionais de emergência e voluntários.
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O evento contou com o painel “El Niño – Ações de Prevenção e Resposta”, mediado por mim, Gabriela Lima, que reuniu o coronel Boeira, o coronel Maurício Ferro Corrêa, comandante do 2º Comando Regional do Corpo de Bombeiros Militar, Ronaldo Manica, presidente da Força Voluntária Alto Uruguai e organizador do evento, além do meteorologista Rafael Santana.
Preparação para o El Niño e Desafios na Comunicação
O painel destacou temas cruciais para os gaúchos, especialmente diante da perspectiva de um El Niño intenso. O coronel Boeira alertou para o baixo número de pessoas cadastradas para receber alertas via SMS da Defesa Civil, fundamentais em situações de risco. Já o coronel Maurício ressaltou a importância da articulação entre diversos atores durante desastres para evitar confusões e retrabalho.
Ronaldo Manica enfatizou a necessidade de mudança cultural na população, para que compreenda a importância de atender aos alertas e realizar evacuações preventivas quando indicadas. Por sua vez, Rafael Santana destacou o papel dos dados científicos confiáveis para previsões meteorológicas precisas, apontando riscos decorrentes de falhas em sensores, como foi reportado recentemente em relação às estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Temas e Desdobramentos do Clima Summit
O encontro segue até domingo (2), com debates sobre o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), operações com drones e processamento de dados para desastres, sistema de comando de incidentes, gerenciamento de abrigos, atendimento emergencial para pessoas com transtorno do espectro autista, comunicações em situações de emergência e cuidados com animais em catástrofes.
Experiência e Espírito Comunitário em Erechim
O Clima Summit não surgiu por acaso. A Força Voluntária do Alto Uruguai existe desde 2013 e já enfrentou desafios significativos, como a grande queda de granizo em novembro do ano passado, que afetou quase 20 mil pessoas. A atuação dos voluntários inspira uma sensação maior de segurança diante dos riscos e mostra que é possível construir uma cultura de prevenção e treinamento mesmo em um país onde a segurança e previsibilidade ainda são pouco valorizadas.
Ao sair do encontro, fiquei satisfeita com o espírito comunitário presente e com o exemplo que Erechim oferece ao país. Embora não seja possível alterar a realidade da emergência climática, é fundamental modificar a forma como reagimos a ela, buscando estar cada vez mais preparados para enfrentar os desafios que surgem.

