Uma Copa do Mundo sem precedentes começa em meio a tensões
A maior edição da Copa do Mundo da história do futebol tem seu pontapé inicial nesta quinta-feira, com o jogo inaugural entre México e África do Sul, no Estádio Azteca, na Cidade do México, que comporta mais de 85 mil torcedores. A partida, marcada para as 16h (horário de Brasília), dá início a um torneio que, além de ampliar o número de seleções e jogos, chega carregado de desafios políticos, logísticos e econômicos.
Formato ampliado e novas regras no Mundial
Após sete edições com 32 seleções, a Fifa, sob o comando de Gianni Infantino, expandiu o torneio para 48 seleções, totalizando 104 partidas. As equipes estão divididas em 12 grupos de quatro times cada, o que aumentou o caminho até o título para oito jogos – um a mais do que nas edições anteriores.
Na nova fase eliminatória, avançam os dois melhores de cada grupo e as oito melhores terceiras colocadas, totalizando 32 seleções que disputarão confrontos mata-mata em jogo único. A complexidade da definição dos confrontos é grande, com 495 combinações possíveis e regras que impedem que times do mesmo grupo se enfrentem na segunda fase.
A seleção brasileira, comandada por Carlo Ancelotti, está no Grupo C ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. A estreia do Brasil será no sábado, às 19h, no MetLife Stadium, em East Rutherford, contra Marrocos, semifinalista da última Copa. Caso avance pelo grupo, o Brasil deve enfrentar um adversário do Grupo F, que conta com Holanda, Japão, Suécia e Tunísia.
Estádios e atrações na abertura do Mundial
O torneio será sediado em 16 estádios espalhados por Estados Unidos, México e Canadá, com destaque para o MetLife Stadium, que receberá a final em 19 de julho. A cerimônia de abertura no Azteca promete homenagens aos campeões de 1970 e 1986, além de shows com artistas renomados como Shakira e Burna Boy. Nos eventos de sexta-feira, os anfitriões Estados Unidos e Canadá farão suas estreias, com participação especial da cantora brasileira Anitta.
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Outro destaque é a escolha de um trio brasileiro para arbitrar o jogo de abertura, com Wilton Pereira Sampaio no apito, acompanhado por Bruno Pires e Bruno Boschilia nas bandeiras. Eles aplicarão as novas regras do futebol, focadas em acelerar o jogo e reduzir interrupções.
Desafios logísticos e políticos em três países-sede
Organizar a Copa em três países trouxe desafios únicos para a Fifa, que dividiu as cidades-sede em blocos leste, central e oeste, para minimizar deslocamentos entre os locais. Ainda assim, algumas exceções ocorrerão, como a seleção espanhola, que jogará em Atlanta duas vezes antes de se deslocar para Guadalajara, no México.
O torneio também ocorre em um contexto político delicado. O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, envolveu-se em tensões internacionais, incluindo conflitos com o Irã e a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. O Irã enfrentou dificuldades para obter vistos e teve que alterar sua base de treinamentos, realizando deslocamentos que complicam sua participação.
Além disso, a deportação do árbitro somali Omar Artan, acusado de ligações terroristas, e a atuação rigorosa do serviço de imigração americano (ICE) têm sido pontos de atenção durante o mundial. Atletas e membros das delegações enfrentam longas esperas e revistas detalhadas nas fronteiras.
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Preços elevados e impacto para torcedores
Outro tema que gera controvérsia é a política de preços dos ingressos, que varia conforme a demanda. Para a final, os valores podem chegar a R$ 170 mil, enquanto o mercado paralelo registra preços ainda mais altos, chegando a R$ 10 milhões em revendas. O custo do transporte para a final, especialmente o trajeto de trem entre Nova York e East Rutherford, também sofreu aumentos significativos, levando o governo local a disponibilizar ônibus escolares com tarifas mais acessíveis.
No México, a situação social é tensa, com manifestações de professores reivindicando aumentos salariais e protestos recentes que afetaram a Cidade do México, incluindo derrubada de estátuas e bloqueios em vias importantes, criando um cenário complexo para os organizadores.
Favoritos, surpresas e recordes no Mundial
Entre as seleções favoritas, além da campeã europeia, França, estão Portugal, Inglaterra e Argentina, atual campeã mundial. Brasil e Alemanha, com mais títulos, aparecem em posições menos destacadas, enquanto times como Marrocos, Holanda, Japão, Senegal, Noruega, Bélgica e Croácia podem surpreender.
Este Mundial também marca um recorde para três ícones do futebol: Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e o goleiro mexicano Ochoa, que, se atuarem, alcançarão sua sexta participação em Copas do Mundo – um feito histórico.

