El Niño confirmado e expectativa de intensificação
A Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos confirmou no dia 11 de julho o início do El Niño para o período atual. Segundo a agência americana, o fenômeno climático deve se desenvolver para níveis moderados a fortes, o que pode trazer impactos significativos para várias regiões do planeta, inclusive o Brasil.
A previsão da Noaa indica uma probabilidade de 63% para a ocorrência de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro, um aumento considerável em relação aos 37% estimados no mês anterior. Caso se confirme, esse El Niño pode figurar entre os mais intensos registrados desde o início dos monitoramentos em 1950.
Como o El Niño influencia o clima brasileiro
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico próximas à linha do Equador. Esse aquecimento altera padrões atmosféricos e influencia o clima mundial. O fenômeno pode ser classificado conforme a elevação da temperatura do oceano: fraco (0,5°C a 1°C), moderado (1°C a 1,5°C), forte (1,5°C a 2°C) e muito forte (acima de 2°C).
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o El Niño deste ano pode reduzir o volume de chuvas na Amazônia, elevando o risco de incêndios florestais no bioma. Essa preocupação levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, a solicitar que a União e os estados da Amazônia e do Pantanal apresentem planos para prevenção e combate a incêndios.
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Fonte: daquidemanaus.com.br
Além disso, o fenômeno costuma provocar chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste do país, enquanto o Sul tende a registrar precipitações acima do normal. O Centro-Oeste, por sua vez, pode enfrentar temperaturas mais elevadas, aumentando também os riscos de fogo. No Sudeste, especialmente durante a primavera e o verão, é esperado aumento da temperatura média, variação nas chuvas e episódios de seca em algumas áreas, dependendo da intensidade do El Niño.
Impactos globais do El Niño em 2024
Fora do Brasil, o El Niño pode afetar negativamente a produção agrícola em regiões como o Sudeste Asiático e a Índia. Kyle Tapley, executivo da Vaisala Xweather, destaca que o fenômeno está associado a chuvas abaixo da média nessas áreas, o que prejudica colheitas essenciais, como arroz, algodão e soja. As monções, vitais para a agricultura indiana, podem ser mais fracas, impactando uma economia que representa cerca de 18% do Produto Interno Bruto do país.
Na Indonésia, produtores de arroz antecipam o calendário de plantio diante da possibilidade de uma seca prolongada. A Malásia também já alerta para uma queda estimada entre 8% e 10% na produção agrícola neste ano, atribuída ao El Niño.
Nos Estados Unidos, a temporada de furacões, que vai de 1º de junho a 30 de novembro, tende a ser menos ativa durante o El Niño. No entanto, especialistas ressaltam que a possibilidade de furacões intensos ainda existe, mesmo em uma temporada considerada abaixo da média.
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Fonte: curitibainforma.com.br
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Fonte: indigenalise-se.com.br
O último episódio significativo do El Niño ocorreu entre 2023 e 2024, marcado por uma seca histórica na Amazônia e enchentes severas no Rio Grande do Sul. O ano de 2024 já é registrado como o mais quente da história, e o novo fenômeno pode contribuir para a continuidade dessa tendência de temperaturas elevadas.
Entendendo o El Niño e sua dinâmica
O El Niño é um fenômeno natural que ocorre quando os ventos alísios, responsáveis por deslocar águas quentes do Pacífico em direção à Ásia, se enfraquecem. Esse enfraquecimento provoca o aquecimento anormal da superfície do oceano próximo à linha do Equador. Em contrapartida, a La Niña é o fenômeno oposto, caracterizado pelo fortalecimento dos ventos alísios e pelo resfriamento das águas superficiais.
Ambos os fenômenos influenciam o clima global, afetando padrões de chuva, temperatura e eventos meteorológicos extremos. A confirmação e o monitoramento do El Niño em 2024 são fundamentais para orientar políticas públicas, setor agrícola e estratégias de prevenção de desastres naturais, tanto no Brasil quanto no cenário internacional.

