Um ícone do basquete joseense
Aos 83 anos, José Edvar Simões permanece como uma referência histórica para São José dos Campos. Nascido em 23 de abril de 1943, no dia de São Jorge, Edvar construiu uma trajetória marcante no basquete brasileiro, destacando-se tanto como jogador quanto como técnico. Sua ligação afetiva com São José dos Campos é constante, refletindo sua origem e o ambiente que moldou sua paixão pelo esporte.
Primeiros passos nas quadras
Edvar cresceu em São José, onde viveu sua infância e juventude em meio a uma comunidade próxima e acolhedora. Neto de imigrantes espanhóis e italianos, ele herdou traços culturais que, segundo ele, influenciaram seu temperamento e personalidade. Sua introdução ao basquete começou nos anos 50, na Escola Estadual João Cursino, onde estudou desde o primário até o ensino médio científico. Foi lá que Alberto Marson, ex-medalhista olímpico e professor de educação física, despertou seu interesse pelo esporte.
Aos 16 anos, Edvar decidiu seguir o basquete mais a sério, aproveitando as oportunidades abertas pelo recém-fundado Tênis Clube, que oferecia espaço para jogadores vindos do João Cursino. A experiência inicial no Palmeiras, aos 18 anos, não resultou em efetivação, mas ele retornou ao Tênis Clube e continuou a se destacar até que, em 1963, chamou a atenção em um amistoso do Flamengo em São José dos Campos.
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Fonte: soudebh.com.br
Ascensão e reconhecimento nacional
Durante essa partida, dirigentes do Corinthians notaram sua habilidade e o convidaram para integrar o time no Campeonato Paulista. No Parque São Jorge, Edvar jogou ao lado de grandes nomes como Wlamir Marques e Ubiratan Maciel, consolidando sua reputação. Sete meses depois, foi convocado para a Seleção Brasileira, tornando-se uma peça fundamental da equipe.
Edvar ainda passou pelo Trianon Jacareí e encerrou sua carreira de atleta no Palmeiras, em 1973. Sua participação nas Olimpíadas de Tóquio (1964), Cidade do México (1968) e Munique (1972) o colocou como o único joseense a conquistar uma medalha olímpica — o bronze em 1964. Além disso, foi vice-campeão mundial na antiga Iugoslávia (1970) e terceiro colocado no Mundial do Uruguai (1967).
Legado e influência no basquete brasileiro
Integrante da geração áurea do basquete nacional, Edvar Simões ajudou a elevar o esporte ao patamar internacional nas décadas de 50 e 60. Sua trajetória inspirou atletas que vieram depois, como Marcel, Marquinhos, Oscar e Carioquinha, que mantiveram o basquete brasileiro em evidência mundial.
Na transição para a carreira de treinador, Edvar retornou ao Tênis Clube em 1978, adotando uma estratégia que combinava experiência e juventude para alcançar resultados expressivos. Sob seu comando, o time conquistou o Campeonato Brasileiro de 1981 — único título joseense na elite do basquete — e os campeonatos paulistas de 1980 e 1981. Depois, ele acumulou títulos nacionais pelo Monte Líbano entre 1984 e 1987 e chegou a liderar a Seleção Brasileira durante a década de 80.
Além do basquete, Edvar atuou como gerente de futebol do Corinthians de 2004 a 2007 e retornou ao comando do São José no Novo Basquete Brasil (NBB) em 2013, reforçando seu compromisso com o esporte e com sua cidade natal.
Essa trajetória única, que combina talento, dedicação e amor pela cidade, destaca Edvar Simões como um dos grandes nomes do esporte brasileiro e o único medalhista olímpico nascido em São José dos Campos. Sua história faz parte da série Talentos de São José, celebrando os 259 anos da cidade.

