Viagem e preparação para o palco internacional
Neste domingo (24), a Camerata Florianópolis inicia uma longa viagem rumo à Indonésia, onde será uma das atrações do renomado Java Jazz Festival, considerado um dos maiores eventos de jazz do mundo. Com um voo que ultrapassa 48 horas, incluindo conexões em São Paulo e no Catar, a orquestra embarca com um grupo de 35 pessoas entre músicos e equipe técnica. A chegada está prevista para a tarde do dia 26 em Jacarta, capital do país asiático.
Após 18 anos sem turnês internacionais, a orquestra retorna aos palcos mundiais com o espetáculo “Aquarela do Brasil”, sob a regência do maestro Jeferson Della Rocca. O repertório selecionado destaca clássicos da música brasileira como “Tico-Tico no Fubá”, “Trenzinho Caipira”, “Garota de Ipanema” e “Influência do Jazz”, evidenciando a diversidade e riqueza da cultura nacional.
Vozes femininas e circulação da arte catarinense
O espetáculo ganha ainda mais força com a participação das cantoras Cláudia Bossle, natural de Florianópolis, e Sheila Sá, carioca com passagens anteriores pelo festival. Com quase três décadas de carreira, ambas trazem interpretações que enriquecem a apresentação, conectando tradição e contemporaneidade.
Para se preparar, a Camerata realizou ensaios em sua sede no bairro Santa Mônica e apresentou “Aquarela do Brasil” em três ocasiões durante maio: no Teatro do CIC em Florianópolis, além de apresentações nos municípios de Treze de Maio e Meleiro, ambos localizados no Sul catarinense. Essa circulação reforça o compromisso da orquestra com a difusão cultural regional antes de levar sua arte para o exterior.
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Representação cultural e repercussão internacional
Levar a música brasileira a um palco internacional como o Java Jazz Festival é uma oportunidade para a Camerata Florianópolis mostrar a capacidade de diálogo entre diferentes culturas por meio da arte. O maestro Della Rocca ressalta que o programa dedicado ao repertório nacional representa a diversidade e versatilidade da música brasileira, promovendo um encontro cultural significativo.
Peter Gontha, fundador do festival, destaca a importância da participação da Camerata. Segundo ele, a orquestra tem uma trajetória notável e será uma excelente representante da música brasileira, que tem grande admiração na Indonésia. Do lado catarinense, Maria Elita Pereira, diretora de produção da Camerata, reforça o orgulho de apresentar a cultura do estado em um evento de alcance mundial.
Maria Teresinha Debatin, presidente da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), também enfatiza o valor da conquista. Para ela, a orquestra não só representa Santa Catarina e o Brasil, mas também levará seu talento para o cenário global, ampliando o reconhecimento da cultura catarinense.
Trajetória da Camerata Florianópolis
Desde sua fundação em 1994, a Camerata Florianópolis já realizou cerca de 1.700 apresentações, gravou seis DVDs e 12 CDs e percorreu aproximadamente 60% dos municípios de Santa Catarina. A orquestra acumula experiência internacional, com turnês realizadas em 2005 na Europa (Alemanha, França e Espanha) e em 2008 na Itália.
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Um dos momentos mais marcantes da história da Camerata foi sua participação no Rock in Rio 2015, ao lado do guitarrista Steve Vai, diante de um público estimado em 100 mil pessoas. Em Santa Catarina, a orquestra mantém tradição em concertos ao ar livre, especialmente na Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, reunindo mais de 30 mil espectadores.
O Java Jazz Festival e sua relevância cultural
Realizado há mais de 20 anos, o Java Jazz Festival consolidou-se como um dos encontros internacionais mais importantes para o gênero, reunindo tanto artistas consagrados quanto novos talentos da Indonésia e do mundo. A 21ª edição do evento acontece de 29 a 31 de maio de 2026, prometendo ampliar a experiência cultural a partir da conexão entre diferentes tradições musicais.
Com a participação da Camerata Florianópolis, o festival reforça seu compromisso com a diversidade cultural, proporcionando ao público uma imersão na música brasileira e em sua relação com o jazz, além de ampliar o intercâmbio artístico entre Brasil e Indonésia.

