Crescimento expressivo no empreendedorismo em Santa Catarina
O início de 2026 trouxe um ritmo acelerado para o empreendedorismo em Santa Catarina. Conforme dados da Junta Comercial do estado, foram registrados 96.397 novos CNPJs nos primeiros três meses do ano, com um saldo positivo de 45.350 empresas, representando um crescimento de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025. Esses números refletem uma economia aquecida, mas também levantam um alerta entre especialistas sobre a falta de cuidado na estruturação jurídica desses novos Negócios.
Perfil jovem, feminino e digital impulsiona novas demandas jurídicas
A Junta Comercial também revelou que 58,2% dos sócios cadastrados nesse período são mulheres, e empreendedores entre 21 e 31 anos já correspondem a mais de 30% das constituições empresariais. Esse perfil mais jovem, feminino e digital demanda modelos societários atualizados e alinhados com a nova realidade do mercado.
Para a advogada Gislaine Schlickmann, do escritório Borges & Bitencourt, a escolha da modalidade empresarial deixou de ser uma formalidade e passou a ser decisiva para a proteção patrimonial, governança corporativa e sustentabilidade do negócio a longo prazo. “Muitas estruturas societárias foram criadas para um mercado que já não existe mais. Abrir uma empresa hoje exige pensar além da divisão de cotas. É necessário avaliar responsabilidades, planejamento sucessório, governança, eficiência tributária e proteção dos envolvidos”, explica.
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Desafios da estruturação jurídica diante do crescimento rápido
O novo perfil empreendedor também transformou a composição das sociedades empresariais. Negócios digitais, familiares, femininos e construídos em rede demandam modelos jurídicos mais sofisticados. Segundo Gislaine, o problema surge quando a velocidade da abertura não é acompanhada pela estruturação adequada, afetando o crescimento futuro.
“O empreendedor abre empresa rapidamente, mas nem sempre com a estrutura ideal para expandir. Muitas dificuldades aparecem posteriormente, em casos de expansão, conflitos societários, entrada de investidores ou sucessão familiar”, destaca a advogada.
Setores como Transporte e Armazenagem, Serviços Administrativos, Comércio, Construção Civil e Atividades Técnicas e Profissionais foram os que mais cresceram em Santa Catarina nesse período. Cada um deles apresenta riscos operacionais específicos, exigindo atenção especial na definição do enquadramento jurídico e societário.
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A importância da escolha correta da modalidade empresarial
Gislaine reforça que a decisão entre LTDA, SA ou outros formatos não deve se basear apenas na facilidade de abertura ou em vantagens tributárias. “A modalidade empresarial precisa estar alinhada ao modelo de negócio e à visão futura da empresa. O jurídico deixou de ser apenas um instrumento de regularização para se tornar parte da estratégia empresarial”, conclui.
A digitalização e a desburocratização impulsionaram a abertura de empresas em Santa Catarina, mas especialistas alertam que rapidez não pode significar superficialidade na estruturação jurídica. Em um estado que cresce 6,5% ao trimestre em novos negócios, uma estrutura societária robusta pode ser o diferencial entre empresas que prosperam e aquelas que não resistem ao primeiro desafio.

