O papel da nuvem na consolidação do polo tecnológico
Santa Catarina se destaca como um dos principais polos de tecnologia no Brasil e na América Latina, conforme aponta o Global Startup Ecosystem Index 2026. Esse reconhecimento não ocorreu apenas pela presença de empresas inovadoras, talentos qualificados e políticas de fomento, mas também pela infraestrutura em nuvem que sustenta o ecossistema local. Essa tecnologia permitiu que startups, empresas de software e negócios digitais escalassem seus produtos, atingissem novos mercados e operassem com maior disponibilidade, sem a necessidade de investir em estruturas físicas próprias.
Base tecnológica para inovação e inteligência artificial
Além de facilitar a escalabilidade, a infraestrutura em nuvem tornou-se a espinha dorsal para a adoção de soluções avançadas, como aplicações de inteligência artificial. Para empresas que desenvolvem software ou gerenciam plataformas digitais, a capacidade de processar dados em larga escala, ajustar recursos conforme a demanda e garantir ambientes seguros é fundamental para a estratégia de crescimento.
Diego Alexandre, CEO da Dati, empresa catarinense reconhecida como parceira da AWS na América Latina, destaca que “a nuvem foi uma das bases que permitiram a muitas empresas de tecnologia crescerem com velocidade e alcançarem mercados maiores. Agora, com a inteligência artificial entrando de forma mais forte nos produtos e nas operações, essa infraestrutura ganha ainda mais relevância”. Segundo ele, o ecossistema de Santa Catarina compreendeu cedo que escalar tecnologia exige uma base preparada.
Leia também: Santa Catarina recebe supercomputador Intel para avançar em Inteligência Artificial
Leia também: Como Santa Catarina Está Consolidando Compradoras de Tecnologia em 2024
Florianópolis entre os principais ecossistemas de startups
De acordo com o Global Startup Ecosystem Index, Florianópolis registrou o maior crescimento entre os dez principais ecossistemas de startups do Brasil, subindo 31 posições no ranking global e alcançando pela primeira vez o top 250 mundial, na 247ª posição. A cidade mantém o 6º lugar nacional e o 14º na América do Sul, com um crescimento anual de 57,1%, o maior entre as cidades brasileiras listadas.
Porém, o desenvolvimento tecnológico não se limita à capital. Dados da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia) e do Sebrae Startups mostram que outras regiões do estado também apresentam bases sólidas. O Observatório ACATE revela que a arrecadação do ISS (Imposto sobre Serviço) vinculada ao setor de tecnologia cresceu expressivamente entre 2019 e 2024: Florianópolis triplicou o valor arrecadado, Blumenau aumentou mais de dez vezes e Chapecó registrou avanço de 275%. Entre 2023 e 2024, a tendência de crescimento se mantém na maioria das cidades analisadas, refletindo o avanço da economia da inovação no estado.
Descentralização e especialização regional
Diego Ramos, presidente da ACATE, avalia que a expansão tecnológica nas diferentes regiões catarinenses é um ativo estratégico para o estado. A descentralização permite que ecossistemas locais se especializem, desenvolvam soluções próprias e atraiam talentos. Isso cria um setor mais resiliente, menos dependente de uma única região e com capacidade para gerar impacto econômico em escala regional.
Leia também: Como a Unimed Santa Catarina Otimizou sua Gestão com Tecnologia TOTVS
Leia também: Irani revoluciona gestão florestal no Meio-Oeste de Santa Catarina com tecnologia avançada
A infraestrutura como base para a onda da inteligência artificial
Um estudo recente da ACATE, em celebração aos 40 anos da entidade, projeta o período de 2026 a 2030 como a “onda da IA por toda a parte” no setor tecnológico. Nesse contexto, a infraestrutura de dados, talentos e capital será essencial para transformar o ecossistema de um estágio “maduro” para “acelerado”.
Diego Alexandre reforça que a infraestrutura continuará sendo um fator determinante para a competitividade do setor nos próximos anos. Ele destaca que “o crescimento do ecossistema catarinense mostra que inovação não acontece apenas na camada de produto. Ela depende de uma base tecnológica capaz de acompanhar a velocidade dos negócios. A nuvem teve um papel fundamental nessa trajetória e será ainda mais relevante à medida que a inteligência artificial se torna parte da estratégia das empresas”.

