Mobilização em Defesa da educação e dos Direitos dos Trabalhadores
No dia 5 de maio de 2026, os trabalhadores e trabalhadoras técnico-administrativas em educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) se reuniram em assembleia para reafirmar seu apoio à greve nacional da FASUBRA. Em resposta aos encaminhamentos discutidos na reunião do Comando Nacional de Greve (CNG) realizada em 24 de abril, uma posição política foi apresentada, destacando a necessidade de lutar pelo cumprimento integral do Acordo de 2024.
Durante a assembleia, os participantes expressaram sua preocupação em relação à recente abordagem do governo, que orientou a realização de assembleias para “avaliar pontos prioritários” para negociação. Segundo os trabalhadores, essa medida representa uma armadilha que pode levar ao abandono de itens do acordo e, consequentemente, deslegitimar setores da categoria. “Não aceitaremos um acordo que seja fatiado, onde itens fundamentais fiquem de fora”, afirmaram.
Denúncia da Fragmentação do Acordo e da Nova Lei
Os trabalhadores rejeitam a ideia de priorizar partes do acordo já firmado. Eles exigem que o cumprimento seja total e sem manobras que possam colocar em risco conquistas como os direitos dos aposentados, a racionalização de cargos e o RSC. “Fomos claros: não iremos permitir que as conquistas da nossa luta sejam rifadas”, destacou um dos representantes na assembleia.
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A assembleia também fez uma crítica contundente à Lei nº 15.367/2026, que é vista como uma versão piorada de um decreto da década de 90. A nova lei, ao suprimir a expressão “público interno”, restringe as 30 horas semanais de trabalho, prejudicando especialmente aqueles que atuam em setores vitais, como laboratórios e infraestrutura. “Nossa luta é pela jornada de 30 horas para todos”, reiteraram os trabalhadores.
Rejeição ao Questionário de Adesão à Greve
Outro ponto discutido foi a exigência repentina do CNG para um questionário de adesão à greve. Os trabalhadores repudiaram essa iniciativa, considerando que se trata de uma estratégia para minar a força do movimento. “Essa métrica foi imposta para criar uma narrativa de desmobilização, mas nossa realidade é de disposição para lutar”, afirmaram. A assembleia destacou que mais de 55 instituições estão mobilizadas e que a força vem das bases.
Enfrentamento ao Capital e à Lógica Fiscal
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
A greve da FASUBRA é vista não como uma simples disputa corporativa, mas como um enfrentamento à lógica de exploração do capital. Os trabalhadores criticaram o fato de que o governo destina 42% do orçamento federal para o pagamento de juros da dívida pública, enquanto a educação recebe apenas 3,18%. “O corte de R$ 500 milhões no orçamento da educação de 2026 inviabiliza funções básicas da UFSC, como pesquisa, extensão e manutenção dos serviços”, alertaram.
Encaminhamentos de Luta e a Autonomia da FASUBRA
A base da UFSC decidiu, por unanimidade, que os técnico-administrativos não irão priorizar ou reduzir os 19 pontos não cumpridos do acordo de 2024. Além disso, a assembleia exigiu que uma mesa de negociação efetiva seja instalada imediatamente com o governo federal. “Não há negociação real sem um calendário definido e compromisso claro de cumprimento do acordo”, enfatizaram.
Os participantes também pediram que a data-base da categoria fosse incluída na pauta nacional, com garantias de reposição das perdas inflacionárias e um reajuste salarial que considere a situação econômica. “É fundamental que o auxílio-alimentação seja transformado em auxílio-nutrição, estendendo esse benefício a aposentados e pensionistas que foram historicamente excluídos”, defenderam.
Demandas e Continuidade da Luta
Outras demandas destacadas envolvem a garantia de que não haverá cortes de salários, benefícios ou auxílios durante o movimento. Além disso, a assembleia exigiu que a reposição dos dias parados ocorra por meio de atividades coletivas, evitando punições disfarçadas. “Precisamos exigir a revogação da Instrução Normativa nº 15/2022, que restringe direitos dos trabalhadores, e a revisão de cortes que prejudicaram nossos colegas”, declararam.
Os trabalhadores da UFSC reafirmaram seu compromisso com a luta pela educação pública, gratuita e de qualidade, simbolizando a resistência frente ao desmonte das políticas educacionais. A assembleia finalizou conclamando a união de forças com outras instituições e categorias em luta e pela autonomia total da FASUBRA em relação ao governo.

